A psicoterapia utiliza-se no contexto da doença coronária para combater tanto o factor de risco que por si próprio supõe o stress psicossocial como o trauma proveniente de se ter sofrido um enfarte do miocárdio ou uma angina de peito.
O stress psicossocial considera-se um factor de risco da doença coronária. Esta qualificação foi muito controvertida, mas verificou-se existirem os seguintes factores psicossociais de risco:
• Personalidade tipo A: caracterizada por avareza, agressividade, rivalidade, forma de falar e de agir acelerada e hostilidade.
• Factores de índole sociológica: excessivo horário de trabalho, situação profissional instável, excesso de ruído.
• Factores de índole económica: limitação de competências profissionais, postos profissionais intermédios e insegurança económica.
Todos estes factores devem combater-se mediante:
1. Técnicas aumentando a resistência do organismo face ao stress como:
- Exercício físico
- Técnicas de relaxamento
-Música
- Técnicas de meditação
- Psicoterapia éonduzida tanto através de
sessões individuais como de grupo.
2. Eliminação de situações laborais de risco, sempre que possível.
N o que se refere ao doente que sofreu um enfarte de miocárdio, são de válida aplicação todas as técnicas anteriormente mencionadas, mas requer-se, além disso, uma psicoterapia especial, devendo iniciar-se já no período hospitalar dado estes pacientes apresentarem:
• Reacção de medo à sua doença ou à morte, condicionando o aparecimento de ansiedade.
• Reacção de medo a uma futura invalidez, exagero dos seus sintomas e hipocondria, condicionando o aparecimento de depressão.
Estas reacções psicológicas após um enfarte de miocárdio são normais nos primeiros dias, mas, numa percentagem nada desprezível de casos, esta situação torna-se crónica, sendo necessária a psicoterapia.
Uma técnica muito útil nestes casos é a psicoterapia de grupo, visto permitir que o paciente se veja apoiado por pessoas na sua situação, desaparecendo assim os sentimentos de medo e de inferioridade.
Nalguns países existem equipas desportivas integradas exclusivamente por doentes coronários. Conseguiu-se assim reduzir os factores de risco coronário e aumentar a qualidade de vida dos pacientes.
Concluindo, todos os pontos anteriormente mencionados permitem plenamente a readaptação dos pacientes na sociedade. Alguns poderão regressar ao seu trabalho habitual, enquanto outros deverão beneficiar de uma reforma antecipada. Neste último caso é muito importante a confiança do doente no seu cardiologista, já que será de aceitar o diagnóstico sem reservas e é também muito importante abrir um psicólogo novos horizontes de actividade ao doente.